O documentário completo " O silêncio dos homens " do canal, PapodeHomem, estará disponível ao final da reflexão de hoje.
Hoje eu vivenciei um dia muito produtivo. Continuei lendo o livro " um amor incômodo " e assisti um documentário fantástico que fez eu retornar ao passado , confrontar todas minhas relações, as minhas competições, os meus comportamentos através de tudo que participei por 37 anos dentro da minha casa, principalmente em relação a igreja e o conceito de pecado , com também suas colocações quanto ao papel de cada gênero na sociedade. Aquele conto de Adão e Eva. Lembra? Quem fracassou? Quem foi culpado nessa história? Justamente, a mulher. Quebrei mais ainda o silêncio porque de fato quero cada vez mais me humanizar, estar sensível e sem camisa de força nesse universo masculino. Ao mesmo tempo que é assustador compreender que temos uma caixa com as referências que recebemos e distribuímos, aquela imagem da não sensibilidade, da força, como se a parte emocional perante a uma mulher ou qualquer pessoa devesse estar trancafiada como uma honra ou código da cartilha. Compreendi que estou no caminho certo porque de acordo com o Livro de Thupten Jinpa, em Um Coração sem medo, é preciso coragem para abrir o nosso coração aos outros e expor nossas vulnerabilidades. Podemos parar de nos esconder e de temer que alguém possa ver quem realmente somos porque estaremos escolhendo ser vistos.
Este livro será minha próxima leitura após terminar o anterior já citado. Ele foi apresentado em uma frase no documentário fantástico que todos deveriam assistir " O silêncio dos Homens " do canal no youtube, Papo de Homem. Este documentário será o ponto chave da minha reflexão de hoje.
O documentário balança muito suas emoções porque faz você ficar vulnerável, algo que procuramos não ser. Ele apresenta diversos homens em desconstrução , conscientes dos seus machismos tóxicos e abusividades psicológicas ou até físicas, em grupos de debates sérios e encontros para conseguirem desmembrar hábitos impostos pela sociedade e conseguirem alcançar o entendimento de quem são, do que podem ser e o quanto podem alcançar para transmitirem mais maturidade ao mundo. E, com isso, tornarem-se homens melhoras para as pessoas e as mulheres.
Uma parte que fez eu recordar da minha juventude foi um homem chamado Felipe, ele narrou a sua relação paterna quanto ao assunto sexualidade de uma forma cômica , porém trágica. Ele recordou que o mais próximo que o pai conseguiu conversar com ele a respeito de sexo foi entregar praticamente uma caixa de camisinha. Na mesma hora eu questionei: será que se fosse uma garota na puberdade , ele teria a mesma atitude ? com certeza, não.
Meu pai nunca conversou comigo a respeito de sexo, tampouco minha mãe. Realmente eu fui descobrindo e tropeçando durante o passar dos anos e experiências. Hoje a visão é clara: demorei muito para começar a amadurecer esse quesito e não é a toa que minha transição de gênero foi tardia diante da consciência das minhas emoções quanto a quem eu era, mesmo que de forma imatura.
Durante o vídeo, a broderagem é ressaltada e fica evidente o que vivemos na escola ou faculdade, por exemplo. Um garoto dizer que não teve ereção numa relação sexual aos colegas é visto como piada e acontece até bullying . O contrário, sem uma broderagem toxica, a atitude seria outra, mais madura, com diálogo, expondo as fraquezas e um ajudando ao outro na busca da solução, até porque quase todos os homens já tiveram esse acontecimento ou ficaram inseguros com suas parceiras. Isso evidencia o quanto a honra é latente no universo masculino. Um modelo de masculino bem macho que cultua um conflito interno poderoso e desconfortante para todos. Uma insegurança que ratifica o silêncio dos sentimentos para assumir um papel de dominador ou controlador. Simplificando: aquele que precisa sempre ser bom e eficiente.
Eu sempre participei de dinâmicas de grupo na minha profissão e acredito muito no objetivo traçado para um fim. Não é diferente no documentário , quando um professor defronta os participantes com um desafio. Uma roda no qual tudo que ele enviasse , precisaria receber de volta. Assim, ele envia um beijo no rosto ao lado. Diante da explicação dele, afirmando que em muitos casos homens acabam em resistência para não beijar diretamente outro homem, enquanto para as mulheres isto é super natural a qualquer gênero, outros choram diante de lembranças do passado e acabam não conseguindo realizar o beijo. Esse é o ponto chave da mudança de padrões com reflexões : desenvolver mais sensibilidade, empatia e cuidado. E como eu posso fazer isso? Beijando e abraçando sim o meu amigo, pai, irmão, tio, qualquer figura masculina. Isso não interfere no homem que você é. Precisamos sair dessa escuridão. E pasmem. Eu já vivenciei tudo isso ...
No primeiro caso, eu sempre ficava inseguro após as minha relações sexuais. Eu tinha necessidade de saber que foi bom ou satisfatório. E mesmo olhando para o rosto da minha namorada e visualizando amor ou carinho , eu sempre estava inseguro diante de uma possivel "performance". No mínimo patético. Convenhamos ... acho que vai muito além do sexo entre dois casais apaixonados. E é evidente o quanto o machismo imposto pela sociedade reflete na gente esses comportamentos inseguros e irritantes.
Já no segundo caso exposto...um certo dia, na casa de uma namorada, um familiar dela veio me receber com beijos no rosto e eu fiquei completamente ofendido, desconcertado . Lógico que outros sentimentos vieram a tona mas não consegui parar para refletir que não tinha problema algum . Qual problema dois homens beijarem no rosto? Por que eu queria estar completamente barbado no futuro para quando encontrá-lo oferecer dois beijos no rosto também? Bom, eu visualizo duas problemáticas: a imaturidade e a insegurança quanto a quem eu sou.
Pensa comigo. Se a sociedade impõe a você padrões como homem. Padrões estes que não permitem que você exalte suas emoções. Posso citar alguns, como ser: forte, grande, dono das finanças , dono da família, aquele com a ultima voz ou palavra, o referencial de masculinidade, o macho, o pegador, aquele que pode ser infiel, o cara que não mostra muita empatia, o sujeito mais prático, menos emotivo, ou aquele que não ajudara nas tarefas da casa porque o dever é da mulher ... será que é por isso que muitos pais abandonam seus filhos? por não estarem preparados emocionalmente para uma relação madura em família? estou refletindo a respeito disso porque se você não busca maturidade , como vai cuidar de uma criança? como conseguira ser bem sucedido com sua família e os conflitos? por isso muitos pais são menos afetuosos?
Acontece algo no documentário que poderia ser colocado de uma forma diferente. É referente ao curso "gestação e parto para homens " no qual é dito pelo responsável que o objetivo é gerar mesmo o conflito e questionamento, visto que homens não geram bebes. O principal objetivo é trazer reciprocidade, aproximação, conhecimento e vivenciar o parto com a mulher. Contudo, se pesquisarmos não muito longe, homens transgêneros podem gerar filhos se quiserem. Lógico que ficou entendido a intenção bondosa e genuína do projeto para elevar a reflexão paterna , esquecendo da simples tarefa da proteção como pai que resolve e sim, aquele homem que CUIDA. A perfeita valorização do cuidado e o questionamento: quais as minhas referencias paternas e o que eu quero replicar? mostrando a realidade que é necessário estudar, buscar informação e querer mudar para ser mais empático. Não é a toa que visualizamos muitos pais abandonando seus filhos por diversos motivos que só enaltecem a falta de sensibilidade ou maturidade emocional.
Vocês já falaram frases deste tipo? Veja: "não acho errado meu filho tomar umas chineladas. Eu apanhei e estou aqui" " se eu como homem intervir na situação do nosso filho, por favor não se intrometa ".
Pois bem, eu já. E mesmo sendo "confrontado" pela minha namorada a refletir, não aceitei o fato dela usar palavras como vou te ensinar. Por que ela não poderia me ensinar? Qual problema? Ela pode, todos podem ... e , sim ! essa não será uma educação modelo . Violência só deixará marcas muito mais profundas na alma. Eu nunca esqueci das pernas roxas pelas cintadas, a dor de cabeça por batê-la na parede, as marcar vermelhas da fivelas ou colher de pau ...
Seria mesmo isso que eu levaria ao meu filho? Muito imaturo, eu diria. Muito sem sensibilidade, eu assumo. Não faz nenhum sentido levar adiante o que não concordamos , simplesmente por termos vivido padrões ou cartilhas.
Voltando na questão que poderia ser diferente. Sim, homens transgêneros também podem engravidar e terem filhos. O projeto seria somente para homens cisgêneros? Uma simples falha que demonstra o quanto nas melhores e boas ações, nós estamos sujeitos a verbalizar preconceitos enraizados e acabar "excluindo" sem perceber , todos aqueles que também estão inseridos nesse papel tóxico pelas cobranças e imposições.
Muitos homens trans não morrem somente pelo preconceito mas porque a sociedade cobra a postura machista. Fica difícil para homens trans essa confusão de sentimentos já que precisamos seguir um padrão para ser de fato homem. Isto é péssimo. É necessário desconstruir tudo e confrontar mesmo a visualização do erro. Poderia ser preconceito ou apenas um descuido? Deixo para você refletirem.
Outra situação interessante é um jovem enfatizando que a presença paterna é um privilégio. Eu discordo. Ela somente será se você vivenciar um crescimento menos tóxico diante de comportamentos machistas, visto que naquela fase sua personalidade será moldada com valores. Lógico que você pode e deve reconstruir mas é como um recomeço. Redescobrir um novo eu antes moldado. Eu estou nesse processo...
Como não existe esse padrão de certo e errado. Acredito que o jovem quis mostrar o reflexo de meninos crescendo sem pais presentes e desenvolvendo comportamentos da sociedade através de outros sentimentos como a dor. E com isso, crescerem sem muita empatia diante as demais pessoas.
É importante dizer. Muitos homens são criados pelas mães e são homens legais, empáticos e mais desconstruídos. Não existe um padrão. Existe é uma sociedade que tem a necessidade de fazer o homem ocupar um lugar privilegiado e honrado.
Você sabia que homens negros sofrem mais com a sociedade machista?
A parte em que homens negros relatam a violência maior a eles, me levou a um estado crítico. Eu nunca havia parado para pensar que homens negros que já sofrem com a imposição do machismo tóxico, também precisarão lidar com o racismo ou agressões promovendo uma dor que indifere da posição dele na sociedade pois, não haverá importância. A visão é marginalizada. Preciso ler e estudar mais a respeito ...
Recordei da minha família muitas vezes utilizando o racismo para proibir namoros ou amizades.
Nossa! nossa sociedade é mesmo sem afeto e cruel. Um balde de água fria na minha espinha. Quantas falas racistas eu já posso ter dito sem perceber? quantas ações repassei do que aprendi sem entender? e quantas vezes deixei alguém próximo que eu amava se magoar por falar ou atitudes grosseiras de familiares? Não, eu preciso confrontar sempre!
Algo que descobri e tocou meu coração é: existe uma relação muito forte entre as dores que o homem sente e as dores que ele provoca.
Sim, nós sentimos muitas dores diante de tudo que nos foi ensinado, a masculinidade a nível de compreensão errada quanto a ser um homem. Com isso, refletimos dores até muito maiores através de hábitos tóxicos nas pessoas e principalmente, nas mulheres.
A maior sacada do vídeo é a relação colocada para desconstrução de valores violentos e excludentes: não se molda sociedade somente com regras, mas com empatia, amor, graça e perdão.
Eu entendi que diante de tantos movimentos em prol da melhoria do homem e seu papel na sociedade, algo que não imagina encontrar, eu confesso. Em muitos casos, existem reduções significativas de reincidência e isso já reflete que existem homens buscando melhoria e construção social através da conscientização. Lógico, ainda muito longe do que precisamos alcançar em quantidade, mas já existem passos e mais passos buscando uma nova visão do homem no mundo. E com todo respeito? isso se deve ao movimento das mulheres, sim! Elas disseram: basta!
Embora, não seja a toa que o feminicideo seja em alto grau, o que é assustador e bárbaro. Eu mesmo não tinha a noção do quanto acontece todos os dias e em alto índice e irei até ler mais a respeito. Chocante compreender que isto só revela o total o desrespeito, descaso, falta de cuidado e empatia para a voz feminina. Não podemos descartar a esperança. Brigar por leis mais fortes, seriedade e visão mais humanitária da sociedade para com as mulheres. Confrontar e ajudar a desconstruir outros seres. Alcançar o entendimento e nos lançarmos ao pró feminismo. Não desistir jamais da evolução porque uma coisa é fato: quantos homens buscam terapia? consultam com uma psicóloga para abrir suas emoções e medos? vergonha? falta de interesse? ou machismo puro?
Algo muito interessante que acontece no decorrer da história é a sacada de uma promotora em atender um pedido das mulheres: doutora escute os homens. E assim ela criou um projeto que de 65% de reincidentes numa pesquisa , caiu para 2% em outra.
O que isso seria de resultado para a sociedade? a inteligência de pessoas buscando mover e conscientizar outros. A reflexão para sensibilizar e restruturar homens com possibilidade de despertar sim para uma nova vida e jornada. Por que não assistimos mais debates a respeito na tv? escola? trabalho? grupos? falta de interesse dos patriarcais? medo do emponderamento feminino?
Na sua escola existiam debates quanto todos esses temas? Na minha não. Acho que todas deveriam criar a reflexão e o debate quanto a sexualidade, ao gênero e a igualdade. Qual problema de alertar e conscientizar? tabu? O dialogo nas escolas não ajudaria ao desenvolvimento de argumentos para conflitos? amadurecimento?
Por que não confrontamos pessoas com falas machistas ou tóxicas? Medo? Por que não perguntamos : você acha legal isso ? e quanto a nós mesmos? a gente consegue conversar e se questionar quanto as atitudes no mundo? o que temos lançado para o universo e o que queremos de volta?
Tudo que gera desconforto, gera mudança. Tudo que gera mudança, gera melhoria. E toda melhoria, lança mais positividade e esperança.
Sabem, teve um dia, na academia, que eu precisei ouvir um papo muito machista. Nojento, eu diria. O dito : papo de homem. Que papo de homem seria esse? tóxico, é verdade. Como foi? Ah, você já conhece: a mulher é a figura sexual que causa o desconforto no homem porque usa roupas inapropriadas. Ele não aguenta , acha que ela quer "trepar" com ele. Sério, eu tive que ouvir isso e muito mais. Pois ... Qual roupa seria apropriada para malhar? Por que a mulher é julgada só por uma roupa? E... por que eu não confrontei ele? deveria ter dito que o pensamento era no mínimo muito tóxico e babaca. Eu apenas continuei andando na esteira e ouvindo até ele mudar de assunto... patético. Uma reflexão a mais que o documentário evidencia com muita riqueza.
Você que busca a desconstrução dia a dia como eu. Seja forte e corajoso, não tenha medo!
Tá que todos nós somos os abusadores, não deixemos de procurar grupos para conversamos. Precisamos expor nossas vulnerabilidades. Precisamos sentir o incomodo e vencer todos os obstáculos porque nós repetimos frases depreciativas. Como não? Aposto que você já brincou com: "eu já disse que mulheres não dirigem bem, cara (mulher no volante , perigo constante )" , que " mulheres são menos fortes" , "mulheres não podem fazer o que quiserem, tem que se comportar" ...
Entenda: elas não são responsáveis pelas nossas mudanças e educação. Elas não têm a obrigação de nos reeducar. Procuremos mais informações que quebrem nossas barreiras e transbordem quem somos de verdade. Assumamos um papel principal diferente: você teve uma atitude racista? escute! você teve uma atitude controladora? escute! você teve uma atitude não muito legal? escute! Sabe porque? porque eu sou um machista e reconhecendo isso, eu posso vencer com pequenas transformações individuais que refletirão na sociedade. Por que escute? simples, porque nós homens falamos demais e sempre queremos ter razão e final. Não é correto! Igualdade, sim.
Quer saber a parte mais incrível do vídeo?
"quando você aprende a escutar mais, você escuta e fala menos. Quando você aprende a entender mais, você compreende. Quando você aprende a sentir mais empatia, coloca-se em movimento. E de repente, você ve sua evolução e quanto já não é mais o mesmo homem de ontem. Iniciativas de cunho mais espiritual e responsável . Temos que assumir, ter coragem e responsabilidade para mudar. Ter coragem para ouvir as mulheres , abrirmos nossos corações construindo vidas melhores. Movimento de homens comuns, como eu e você. Homens com cuidado com o outro"
“É preciso CORAGEM PARA ABRIR NOSSO CORAÇÃO aos outros e expor nossas vulnerabilidades. Podemos parar de nos esconder e de temer que alguém possa ver quem realmente somos. Porque estaremos ESCOLHENDO ser vistos.”
(Thupten Jinpa – Livro – Um Coração sem Medo).
Segue o Video: Canal: PapodeHomem

Nenhum comentário:
Postar um comentário